Sunday, September 14, 2008

Mais revelações sobre as armas nucleares nas Lajes


O trabalho do Armando Mendes, jornalista e autor do livro “Os Açores e a Projecção de Força nos Cenários pós-Guerra Fria” (ed. Universidade dos Açores), é um importante contributo para o árduo trabalho de perceber o papel das Lajes na estratégia militar norte-americana, incluindo a estratégia e planeamento nuclear.
Um importante contributo por Armando Mendes ter conseguido o testemunho de quem teve conhecimento, por dentro, do que se passava: o “on” sobre a presença, na Base das Lajes, na década de 90, de uma comissão do Senado e, mais, a notícia do processo de um militar num tribunal norte-americano com a alegação de ter estado exposto a materiais nucleares. Mais e ainda: o “on” sobre os níveis de urânio e trítio na ilha e a opinião de um cientista que não afasta o cenário de armas nucleares.
Estes dois “pormenores” – tratando-se do assunto que é, sempre rodeado de muros de silêncio, da parte de governo, de generais e militares – são tudo menos “pormenores”. Por isso, as notícias desta semana da Antena1-Açores serem importantes para somar a todos os indícios que ao longo dos anos foram sendo relevados, mais do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, do que em Portugal.

Numa conversa telefónica com Armando Mendes disse-lhe que já era tempo de as autoridades portuguesas revelarem dados históricos sobre a participação de Portugal na estratégia nuclear dos Estados Unidos. E refiro-me a História, não a segredos militares.
Não faz muito sentido os Estados Unidos revelarem parte (ínfima) do acordo com Portugal – a que permitiu, desde a década de 50, a passagem e armazenamento temporário de armas nucleares – e os arquivos do MNE continuarem fechados a sete chaves.
Nos arquivos norte-americanos há muitos documentos com muitas páginas apagadas, nomeadamente quanto a questões e missões militares das Lajes.

No comments: